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17 de novembro de 2010

O Garotinho

Uma vez um garotinho foi para a escola. Ele era bem novinho. E a escola era uma escola bastante grande. Mas quando o garotinho descobriu que podia chegar até a sua sala simplesmente atravessando a porta de entrada ele ficou feliz e a escola não pareceu tão grande.

Uma manhã, depois que o garotinho já freqüentava a escola por um tempo, a professora disse. “Hoje nós vamos desenhar uma figura”. “Que bom!” pensou o garotinho. Ele gostava de figuras. Ele podia desenhar figuras de todos os tipos: leões e tigres, galinhas e vacas, trens e barcos... E ele pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.

Mas a professora disse “Esperem! Ainda não é hora de começar!” E ela esperou até que todo mundo estivesse pronto.

“Agora”, disse a professora. “Nós vamos desenhar flores.” “Que bom!” pensou o garotinho. Ele gostava de desenhar flores. E ele começou a fazer lindas flores com seus lápis cor de rosa e laranja e azul.

Mas a professora disse. “Esperem! E eu vou mostrar como”. E a flor era vermelha com um cabo verde. “Pronto”, disse a professora. “Agora vocês podem começar”.

O garotinho olhou para a flor da professora e olhou para sua própria flor. Ele gostava mais da sua do que a da professora. Mas ele não disse isso. Ele simplesmente virou o seu papel e fez uma flor igual à da professora. Era vermelha com um cabo verde.

Outro dia, quando o garotinho tinha aberto a porta sozinho, sem ajuda de ninguém, a professora disse, “Hoje nós vamos fazer alguma coisa com barro”. “Que bom!” pensou o garotinho. Ele gostava de barro. Ele podia fazer várias coisas com barro: cobras e homens de neve, elefantes e ratos, carros e caminhões... E ele começou a amassar e cutucar sua bola de barro.

Mas a professora disse, “Esperem! Ainda não é hora de começar!” E ela esperou até que todos estivessem prontos. “Agora”, disse a professora. “Nós vamos fazer um prato.” “Que bom!” pensou o garotinho. Ele gostava de fazer pratos. E ele começou a fazer alguns de todas as formas e tamanhos.

E então a professora disse. “Esperem! E eu vou mostrar como.” E ela mostrou a todos como fazer um prato fundo. “Pronto”, disse a professora, “Agora vocês podem começar”.

O garotinho olhou para o prato da professora, e olhou para o seu próprio prato. Ele gostava dos seus mais dos que os da professora. Mas ele não disse isso. Ele juntou todo o barro numa grande bola novamente e fez um prato igual ao da professora. Era um prato fundo.

E logo o garotinho aprendeu a esperar e observar e fazer as coisas exatamente como as da professora. E logo ele não fazia mais suas próprias coisas. Então aconteceu que o garotinho e sua família mudaram para outra casa, em outra cidade, e o garotinho teve que ir para outra escola.

Esta escola era ainda maior do que a outra. E não havia porta de fora para dentro de sua sala. Ele tinha que subir grandes degraus andar por um longo corredor para chegar à sua sala.

E no seu primeiro dia a professora disse: “Hoje nós vamos fazer uma figura.” “Que bom!” pensou o garotinho e esperou que a professora lhe dissesse o que fazer. Mas a professora não disse nada. Ela simplesmente andou ao redor da sala.

Quando ela se aproximou do garotinho ela disse. “Você não quer fazer uma figura?” “Sim”, disse o garotinho. “O que nós vamos fazer?” “Eu não sei até que você faça”, disse a professora. “De que jeito devo fazer?” perguntou o garotinho. “Do jeito que você quiser”, disse a professora. “De qualquer cor?” perguntou o garotinho. “De qualquer cor”, disse a professora. “Se todos fizerem a mesma figura, e usarem as mesmas cores, como vou saber quem fez o quê e qual é qual?” “Eu não sei”, disse o garotinho. E ele começou a fazer uma flor vermelha com um cabo verde.

Helen E. Buckley

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